terça-feira, 27 de maio de 2008
Ossos do ofício
Bruno Medina
O protagonista destas próximas linhas é, por assim dizer, um estranho no que diz respeito a literatura ou a qualquer outro tipo de expressão artística, apesar de ser um velho conhecido de cada um de nós. Há quem o considere -a começar por ele próprio- um injustiçado, condenado a desempenhar eternamente seu papel de secundária importância dentro do coletivo em que se insere.
É possível que alguns de vocês se constranjam pela simples menção ao seu nome, ou mesmo por considerarem que a principal atividade de nosso personagem deveria permanecer à margem de qualquer atenção. Devo confessar no entanto que, nestes últimos dias, sua emblemática imagem tem sido presença constante em
minha rotina. Chega de rodeios, este post é sobre o intestino.Sim, intestino. O meu, o seu, o de todos nós. Estando já há dez dias fora do país, posso afirmar sem sombra de dúvida que, de todas as adaptações inerentes à viagem, a mais penosa se refere a ele. Língua estrangeira? Fuso horário? Saudades de casa? Nada disso é páreo frente ao desafio que é domar o intestino num país estrangeiro.
Na tentativa de minimizar os inconvenientes causados pelo confrontamento, minha experiência diz que o melhor mesmo é ser paciente e deixar que ele sinta que está no comando das ações. Há de se compreender que o intestino é um orgão conservador, avesso a novidades e resistente às menores alterações no seu “modus operandi”.
Desacostumado a ser a vedete do corpo humano -posto que se reveza entre coração e pulmões- o intestino nunca teve seu nome sequer citado numa canção de amor, aliás, muito pelo contrário, afinal, por motivos óbvios, só costuma ser relacionado com algo nada poético.
Diria ele que “são ossos do ofício”. Por isso não é nenhum absurdo comparar seu mau funcionamento à atitude de alguém que abnega a própria fama, ou que prefere reforçar a má reputação ao invés de tentar modificá-la. A frase que melhor o define é “falem mal, mas falem de mim”.
Então você está longe de casa, almoçando na hora do café da manhã, jantando na hora do almoço e, principalmente, comendo tudo que vê pela frente, e muito, propiciando ao organismo um bem-vindo carnaval dos sentidos. Você confia que seu intestino absorverá a carga extra de trabalho, e é justo quando mais se precisa que ele costuma causar problemas. Pressionado por estar no centro das atenções, nosso sensível amigo receia não atender às expectativas e entra em colapso.
Em alguns casos fecha para balanço, como faria um metódico funcionário de repartição que tem, sobre sua mesa, uma enorme pilha de documentos importantes para avaliar. Seu profissionalismo exacerbado o aconselha a só retomar as atividades quando sentir que pode atender a nova demanda, mesmo que isso demore dias.
Num outro cenário, impedido de trabalhar em condições ideais, prefere apenas abdicar de suas funções e abrir as comportas, deixando implícita a relevância de seu departamento para todo o resto da empresa.
Aí é um Deus nos acuda; ele te acorda no meio da noite, te chama duas, três vezes ao dia, sempre nas piores situações, dá falso alarme, ou então manda aqueles recados que causam imenso constrangimento, impondo um clima de insustentável apreensão que o habilita a determinar as condições e a duração do passeio, bem como ter a palavra final na escolha das refeições. Existem algumas formas de enganá-lo, mas isto é extremamente desaconselhável para iniciantes, sob o risco do agravamento da situação e a permanência indeterminada no banheiro.
Expostas as reivindicações, a tensão costuma ser amenizada quando se tem em mente que tudo que o intestino deseja é um pouco de atenção e carinho.
Caso ele não esteja disposto a negociar, o jeito é apelar para iogurtes, alimentos ricos em fibras e, em casos mais extremos, laxantes, reguladores intestinais ou aqueles temíveis remedinhos da vovó. Se tudo falhar, faça uma música para ele.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Rock Amazônico
Enquanto Uns Dormem
Los Porongas
Composição: Diogo Soares / João Eduardo / Márcio Magrão / Jorge Anzol
Vou por atalhos
Se faço curva faço nó
Eu não tenho timão nem direção maior
Criando a talhos, a golpes de satisfação
Faço escultura em luz de lampião
Meu oriente é rente à televisão
Dos passos que passeiam no Japão
Menino, a lente é vidro de aumentar visão
E a mente é de alimento à solidão
Porque eu não quero ficar aqui
Enquanto uns dormem
Quero um balão pra poder subir
E avise que vou voltar se não cair
Fazendo um talho
A ponta de faca sem dó
Entrega ao punho sua direção
E assim me valho
De verbo ou de coisa melhor
E aceito a cicatriz como perdão
Deixa eu me explicar sem medo
Tão mais cedo quanto for
Assim não é preciso impressionar
Cale-me com um segredo
Que eu não possa ver a cor
Talvez seja mais fácil de acordar
Se eu não puder viajar
Me encontre aqui
Talvez eu vá me esconder em mim
Se faço curva faço nó
Eu não tenho timão nem direção maior
Criando a talhos, a golpes de satisfação
Faço escultura em luz de lampião
Meu oriente é rente à televisão
Dos passos que passeiam no Japão
Menino, a lente é vidro de aumentar visão
E a mente é de alimento à solidão
Porque eu não quero ficar aqui
Enquanto uns dormem
Quero um balão pra poder subir
E avise que vou voltar se não cair
Fazendo um talho
A ponta de faca sem dó
Entrega ao punho sua direção
E assim me valho
De verbo ou de coisa melhor
E aceito a cicatriz como perdão
Deixa eu me explicar sem medo
Tão mais cedo quanto for
Assim não é preciso impressionar
Cale-me com um segredo
Que eu não possa ver a cor
Talvez seja mais fácil de acordar
Se eu não puder viajar
Me encontre aqui
Talvez eu vá me esconder em mim
Deputado chama financeira de agiota e a compara com o governo do Acre

Em seu blog, o deputado Luiz Calixto (PDT, por enquanto) satiriza e critica a financeira Semprecred. Segundo ele, além da propaganda ser enganosa, também tem uma péssima qualidade de produção.
De acordo com o parlamentar, a empresa usa da mesma tática do Governo do Acre. De acordo com ele, “Na mesma linha, o governo do PT usa e abusa de uma propaganda sobre o “ contrato” feito com o BNDES no valor de 572 milhões de reais, como se o Estado não tivesse a obrigação de pagá-lo e com juros.”
Meu comentário: Até hoje a maioria da população não sabe ao certo qual a porcentagem de juros em que esses repasses milionários podem acarretar de prejuízos no futuro. E outra, como sempre, o cidadão é que vai levar a “bronca”, vai bancar mais uma estripulia macabra sem sua autorização.
Leitor, Prepare o bolso, a “facada” vai doer.
Marcos Venícios - Editor do Blog
Brasileiro trabalha 148 dias por ano para pagar imposto, mostra estudo

Em 2008, os brasileiros terão que trabalhar durante quatro meses e 28 dias só para pagar impostos, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).
De acordo com o trabalho, em 2008 um trabalhador no país terá que usar 148 de seus dias para pagar tributos exigidos pelos governos federal, estadual e municipal, em média. Isso corresponde a uma mordida de 40,51% de seu rendimento bruto.
Pior ainda: durante a década de 1970, em média esse tempo era de 76 dias, equivalentes a dois meses e 16 dias. Ou seja, hoje se trabalha o dobro do que na década de 1970 para se pagar os impostos.
Se serve de consolo, um trabalhador sueco tem que trabalhar ainda mais – 185 dias – para pagar suas taxas. Em outros países, como França e Espanha, o número é próximo do brasileiro: 149 e 137 dias, respectivamente. Em compensação, um mexicano só perde 91 de seus dias de trabalho pagando imposto.
Fonte:Blog da redação do G1
A OPOSIÇÃO À FLORESTANIA
José Mastrângelo*
Surge faz uma década com o advento do vianismo ao governo do Estado do Acre, que planta a florestania (neologismo não enraizado nos dicionários de língua portuguesa) como modelo de “desenvolvimento sustentável”.
Desde aquela época, opõe-se à florestania, que é considerada desumana e nociva à sociedade por não conseguir sustentar o povo em suas necessidades básicas e empurrá-lo para mergulhar nas profundezas, que ficam abaixo da linha de pobreza.
A oposição contesta veementemente a maneira vianista de governar o Estado, que tem muito a ver com as ditaduras de Stalin (stalinismo), Hitler (nazismo), Mussolini (fascismo), autoritárias, totalitárias e sangrentas.
O vianismo concentra o poder na mão de um só, que passa a ser venerado e adorado e que conduzirá os destinos do Estado com a força, relegando os demais poderes constituídos a serem meros coadjuvantes de suas ordens inquestionáveis.
A arrogância é muito pretensiosa. Chega ao ponto de o vianismo substituir o símbolo do Estado “Nec luceo impar” com uma árvore, que ainda continua incólume em prédios públicos, ruas e avenidas, palácios e estádios, motos e carros.
Ao culto da árvore rendem-se covardemente mentes e corações, pessoas e instituições, sindicatos classistas e movimentos sociais, cantando e seguindo a mesma canção. Marina aparecida é venerada na Biblioteca da Floresta. Os movimentos sociais ocupam espaços públicos generosos, cedidos gratuitamente pelo poder estatal. Os meios de comunicação social aceitam a censura prévia às noticiais e às imagens. As construtoras fazem o seu preço. As igrejas vendem-se ao poder dos homens, no lugar de louvar a Deus e difundir fé e esperança.
A ética não tem valor no “governo da floresta”. O vianismo viola os elementos fundamentais de uma convivência social sólida e pacífica. Não respeita os indivíduos. Quem é contra sofre as penas da perseguição, obstrução, marginalização e exclusão. A malandragem toma conta do tecido cultural, econômico e político. O medo e o terror servem para manter a consciência do povo sob controle.
O modelo de “desenvolvimento sustentável” (conceito de conteúdo duvidoso) é a aposta que o vianismo faz que, em verdade, leva milhares de famílias acreanas ao abandono a à falência total. Mais da metade da população acreana mergulha abaixo da linha de pobreza.
O vianismo é “visível” e “transparente” principalmente na Capital do Estado com suas ruas que viraram avenidas, pontes e arena da floresta, caffés e theatros, que visualizam pura beleza às custas da maioria da população riobranquense, que permanece em situação de miséria, sem água e esgoto, barro e poeira, segundo as épocas do ano.
A oposição denuncia essas calamidades. Apesar de suas voz ter pouca ressonância, porém mantém-se firme em seu propósito de mudar as coisas. Mais de 48% da população não concorda com a florestania do vianismo. Está sensível para sair dessa situação de opressão sufocante.
As eleições, que se aproximam, renovam a esperança da oposição, que poderá ter êxito desde que refute lideranças, que ainda se aninham em seu meio sem sê-las verdadeiramente.
A oposição à florestania exige lideranças de postura moral inquestionável, coerentes e audaciosas, que possam enfrentar os Golias com as pedras dos David. Com certeza, não serão os M e nem tampouco e os P da vida, que derrotarão a ditadura vianista.
* Filosofo, Teólogo e Colunista do site Folha do Acre
Frase do dia

"Finalmente, virei o Roberto Marinho de mim mesmo"
Marcelo Tas*
* Ele é blogueiro e apresentador do programa CQC da rede Bandeirantes de Tlevisão.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Índios do Acre
Uma das últimas tribos isoladas da Terra, os "índios invisíveis" são fotografados em Feijó (AC) e reagem a flechadas contra um avião
Após quase 20 horas num avião monomotor, o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior, coordenador da Frente de Proteção Etno-Ambiental da Funai, comandou um sobrevôo que resultou nas primeiras fotografias dos índios de uma das quatro etnias isoladas que vivem na fronteira do Acre com o Peru. As mulheres e suas crianças fugiram para a floresta em busca de proteção, enquanto os guerreiros da tribo se posicionaram e reagiram atirando flechas no avião.
No verão amazônico de 2004, ao sair de sua casa para pescar, Meirelles foi alvejado com uma flecha, que entrou no lado esquerdo do rosto e saiu na nuca. No final da década de 80, numa circunstância descrita como "dramática", o sertanista viu-se obrigado a matar um índigena que tentara atingir o sogro dele.
- Nós já sabíamos da existência desses povos, mas, a partir de agora, temos a prova material de que a região é uma das poucas que abriga as últimas etnias isoladas ou desconhecidas do Planeta - afirma José Carlos Meirelles.
Fonte:Blog do Altino
Após quase 20 horas num avião monomotor, o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior, coordenador da Frente de Proteção Etno-Ambiental da Funai, comandou um sobrevôo que resultou nas primeiras fotografias dos índios de uma das quatro etnias isoladas que vivem na fronteira do Acre com o Peru. As mulheres e suas crianças fugiram para a floresta em busca de proteção, enquanto os guerreiros da tribo se posicionaram e reagiram atirando flechas no avião.No verão amazônico de 2004, ao sair de sua casa para pescar, Meirelles foi alvejado com uma flecha, que entrou no lado esquerdo do rosto e saiu na nuca. No final da década de 80, numa circunstância descrita como "dramática", o sertanista viu-se obrigado a matar um índigena que tentara atingir o sogro dele.
- Nós já sabíamos da existência desses povos, mas, a partir de agora, temos a prova material de que a região é uma das poucas que abriga as últimas etnias isoladas ou desconhecidas do Planeta - afirma José Carlos Meirelles.
Fonte:Blog do Altino
domingo, 18 de maio de 2008
Frase do dia
"Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se."
Gabriel Garcia Marquez
Gabriel Garcia Marquez
sábado, 17 de maio de 2008
Boa Música: Acreanos do Los Porongas ao vivo no Centro Cultural São Paulo
As duas bandas tem muito em comum. Se mudaram para São Paulo há pouco mais de um ano e fazem parte junto com outros grupos contemporâneos, de um novo panorama da música brasileira, onde artistas de diversas regiões do país tornam-se conhecidos sem fazerem parte de uma grande gravadora.
Los Porongas é formada por Diogo Soares (voz), João Eduardo (guitarra), Márcio Magrão (baixo) e Jorge Anzol (bateria). Seu primeiro disco, lançado pelo Senhor F Discos, foi considerado pela Rolling Stone brasileira um dos
melhores álbuns do ano em 2007. A banda reúne inteligência poética, uma sonoridade intensa e um show eletrizante.
O Quarto das Cinzas é Laya Lopes (voz), Carlos Gadelha (programações e guitarra) e Raphael Haluli (baixo). As influências são diversas e o resultado é uma música livre, moderna, com elementos eletrônicos e um sotaque brasileiro. Seus shows performáticos somam à música outras linguagens artísticas como a dança e a poesia..
Os shows prometem momentos de interatividade entre as duas bandas. Laya deve cantar com os Los Porongas e Diogo participar nos vocais de uma das músicas d´O Quarto. Jorge Anzol, baterista dos Porongas também deve fazer uma participação unindo suas levadas às programações eletrônicas de Carlos Gadelha. "Além de sermos amigos e gostarmos do som que cada um faz, ainda tem o fato do Acre e do Ceará terem uma ligação histórica muito forte, acho que tudo isso vai estar em cima do palco", disse Diogo.
Serviço
*O que: Show Los Porongas(AC) e O Quarto das Cinzas(CE)*
*Onde: Sala Adoniran Barbosa, Centro Cultural São Paulo*
*Quando: Sábado, 17, a partir das 19h*
*Quanto: R$ 15,00 e 7,50*
Ascom Los Porongas
terça-feira, 13 de maio de 2008
Marina aguentou desaforo e falava sozinha
Mirian Leitão*
Encontrar razões para explicar a saída da ministra Marina Silva é fácil.
A ministra Marina Silva foi desrespeitada várias vezes, perdeu inumeras brigas dentro do governo, e viu nos últimos meses o desmatamento voltar a crescer.
Esta semana foi divulgado o Plano Amazônia Sustentável que tinha muito mais espaço para as obras do PAC do que para qualquer projeto concreto para proteger a Amazônia da pressão que estes projetos representam.
Entre os vários desaforos que ela engoliu está a viagem espalhafatosa do ministro Mangabeira Unger a Amazonia com a autorização de fazer um planejamento para a região. Assunto que ele mostrou não dominar.
A política industrial fala de tudo, mas não tem nenhum incentivo ou exigência para que as empresas contempladas respeitam regras mínimas de sustentabilidade.
Enfim, esse assunto está alheio completamente do atual governo. Ela estava falando sozinha.
Ela mesma havia dito que perdia o pescoço mas não perdia o juizo. Pode ter achado que ficar era definitivamente perder o juizo, num governo que nunca deu de fato importância para o meio ambiente.
A saída de Marina Silva enfraquece o governo Lula. Ela é um ícone e por isso a saída será vista - aqui e lá fora - como mais uma vitória do grupo que acha que meio ambiente é barreira ao desenvolvimento.
*Colunista do Jornal O Globo Online
Encontrar razões para explicar a saída da ministra Marina Silva é fácil.
A ministra Marina Silva foi desrespeitada várias vezes, perdeu inumeras brigas dentro do governo, e viu nos últimos meses o desmatamento voltar a crescer.
Esta semana foi divulgado o Plano Amazônia Sustentável que tinha muito mais espaço para as obras do PAC do que para qualquer projeto concreto para proteger a Amazônia da pressão que estes projetos representam.
Entre os vários desaforos que ela engoliu está a viagem espalhafatosa do ministro Mangabeira Unger a Amazonia com a autorização de fazer um planejamento para a região. Assunto que ele mostrou não dominar.
A política industrial fala de tudo, mas não tem nenhum incentivo ou exigência para que as empresas contempladas respeitam regras mínimas de sustentabilidade.
Enfim, esse assunto está alheio completamente do atual governo. Ela estava falando sozinha.
Ela mesma havia dito que perdia o pescoço mas não perdia o juizo. Pode ter achado que ficar era definitivamente perder o juizo, num governo que nunca deu de fato importância para o meio ambiente.
A saída de Marina Silva enfraquece o governo Lula. Ela é um ícone e por isso a saída será vista - aqui e lá fora - como mais uma vitória do grupo que acha que meio ambiente é barreira ao desenvolvimento.
*Colunista do Jornal O Globo Online
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Interessantíssimo: "Blogumentário"
Dando uma voltinha pela Blogosfera, encontrei no Blog do Tas o trailer do Primeiro documentário sobre o universo dos blogs brasileiros. Confira o video abaixo:
Xapuri, onde a cobra vai fumar nesta eleição
Luis Carlos Moreira Jorge*
O achincalhe, a perseguição barata, o uso da mídia para desmoralizar, nada disso funciona mais em política para se conseguir derrotar o adversário. Xapuri é o claro exemplo disso. Fora o ex-governador Jorge Viana (PT) e o deputado federal Flaviano Melo (PMDB), ninguém foi mais atacado na imprensa, de todas as formas possíveis, do que o prefeito de Xapuri, Wanderley Viana (PPS). Os dois primeiros ainda tinham quem os defendesse, Wanderley, nem isso. E agora vejo nas primeiras rodadas de pesquisa a constatação desta tese: em todas elas o prefeito Wanderley Viana aparece entre os líderes na disputa da prefeitura. O Wanderley é um santo? Claro que está muito longe disso. Mas, o que muita gente não analisa sobre a sua ainda mantida popularidade é que sucedeu um dos piores prefeitos que Xapuri já teve em termos administrativos: Julio Barbosa. E filiado exatamente no partido que é o algoz do atual prefeito, o PT. Barbosa teve tudo para ser um bom prefeito. Tinha na sua retaguarda, assessores do governo Jorge Viana, que lhe deu ainda condições financeiras para deslanchar e não deslanchou. Quem situa a administração de Julio Barbosa como ineficiente são seus próprios companheiros de partido. Bastou Wanderley Viana entrar na base do populismo, fazer obras sempre com sua presença, estar mais próximo ao povão, que a comparação com a gestão do seu antecessor passou a lhe ser favorável. É em cima disso que até hoje está surfando. Nesta campanha tem chance concreta de reeleição. Pode até perder, é do jogo político de quem é candidato, mas vai ser difícil o PT batê-lo, até porque o candidato petista Ubiraci Vasconcelos, embora seja um rapaz preparado, foi um dos secretários do ex-prefeito Julio Barbosa.
O PT vai jogar tudo na eleição de Ubiraci, porque até hoje não engole a derrota em Xapuri, município que considera como seu santuário. Na última eleição nem a cúpula petista toda focada naquele município conseguiu evitar a derrota do então candidato a prefeito, o ex-vereador Raimundão (PT) . Para se ter uma idéia, a ministra Marina Silva e o secretário de Educação do governo na época, Binho Marques, passaram a última semana da campanha morando em Xapuri. No dia da eleição até passarinho estava vestido de vermelho. Quem saia na rua tinha absoluta certeza que a vitória de Raimundão seria esmagadora. Chegou até ser comprada a cerveja e a carne para o churrasco. Quando as urnas abriram, Raimundão perdeu até nas urnas do seringal Cachoeira, onde funciona um projeto de desenvolvimento sustentável que é a menina dos olhos do PT.
Nesta eleição em Xapuri devem ter quatro candidatos disputando a prefeitura do município: Ubiraci Vasconcelos (PT), Wanderley Viana (PPS), Elenira Mendes (PV) e Manoel Moraes (PSB). A corrida começou bem para Manoel Moraes (PSB), que foi bem votado para deputado estadual no município (é o atual primeiro suplente da FPA), liderando todas as pesquisas, ancorado na memória eleitoral da última eleição. Mas, em política, dormir em cima dos louros, esperar que os votos caiam do céu, é um erro de estratégia. E este foi o seu erro. O outro fato negativo que lhe prejudicou foi não ser fiel aos compromissos assumidos, marcar conversas políticas e não comparecer, que acabaram por toldar sua imagem. Nas últimas pesquisas desabou que nem jaca madura. Em campanha majoritária, o candidato não atuar de forma profissional é fatal. Como aliado terá o PMDB, que deverá indicar o seu vice, mas isso não é suficiente para reverter sua queda. Ou muda toda sua estratégia, se organiza, ou dificilmente vai conseguir polarizar a disputa.
A outra candidata é Elenira Mendes (PV), filha de Chico Mendes, contra quem os adversários não terão muito que falar. Poderia ser a candidata do PT. Só que os petistas do município machucaram muito sua mãe Ilzamar Mendes, e jamais lhe dariam espaço político para crescer. A pergunta que cabe é: vai ser mesmo candidata? Vai resistir as pressões para retirar seu nome? Até aqui resistiu. Não aparece bem nas pesquisas, mas há que se aguardar a campanha para ter como se medir seu potencial.
Sobram Wanderley Viana (PPS) e Ubiracy Vasconcelos (PT). Não esperem uma campanha pacífica entre ambos. Vai ser do pescoço para baixo. O PT vai fazer uma nova campanha para lhe desmoralizar, mas pode esperar que terá troco na mesma altura. Se tem uma cabra valente, que não se dobra, este é o Wanderley. Tem o couro curtido de. E a disputa pela prefeitura de Xapuri vai ficar mesmo entre ambos. Manoel Moraes, que poderia fazer frente a ambos, assim como subiu caiu. Fiquem de olho em Xapuri. É naquele município que a cobra vai fumar nesta eleição. Será na base de pau para comer sabão, e pau para saber que sabão não se come.
*blogueiro nas horas vagas no AC24Horas, Blog do Crica
O achincalhe, a perseguição barata, o uso da mídia para desmoralizar, nada disso funciona mais em política para se conseguir derrotar o adversário. Xapuri é o claro exemplo disso. Fora o ex-governador Jorge Viana (PT) e o deputado federal Flaviano Melo (PMDB), ninguém foi mais atacado na imprensa, de todas as formas possíveis, do que o prefeito de Xapuri, Wanderley Viana (PPS). Os dois primeiros ainda tinham quem os defendesse, Wanderley, nem isso. E agora vejo nas primeiras rodadas de pesquisa a constatação desta tese: em todas elas o prefeito Wanderley Viana aparece entre os líderes na disputa da prefeitura. O Wanderley é um santo? Claro que está muito longe disso. Mas, o que muita gente não analisa sobre a sua ainda mantida popularidade é que sucedeu um dos piores prefeitos que Xapuri já teve em termos administrativos: Julio Barbosa. E filiado exatamente no partido que é o algoz do atual prefeito, o PT. Barbosa teve tudo para ser um bom prefeito. Tinha na sua retaguarda, assessores do governo Jorge Viana, que lhe deu ainda condições financeiras para deslanchar e não deslanchou. Quem situa a administração de Julio Barbosa como ineficiente são seus próprios companheiros de partido. Bastou Wanderley Viana entrar na base do populismo, fazer obras sempre com sua presença, estar mais próximo ao povão, que a comparação com a gestão do seu antecessor passou a lhe ser favorável. É em cima disso que até hoje está surfando. Nesta campanha tem chance concreta de reeleição. Pode até perder, é do jogo político de quem é candidato, mas vai ser difícil o PT batê-lo, até porque o candidato petista Ubiraci Vasconcelos, embora seja um rapaz preparado, foi um dos secretários do ex-prefeito Julio Barbosa.
O PT vai jogar tudo na eleição de Ubiraci, porque até hoje não engole a derrota em Xapuri, município que considera como seu santuário. Na última eleição nem a cúpula petista toda focada naquele município conseguiu evitar a derrota do então candidato a prefeito, o ex-vereador Raimundão (PT) . Para se ter uma idéia, a ministra Marina Silva e o secretário de Educação do governo na época, Binho Marques, passaram a última semana da campanha morando em Xapuri. No dia da eleição até passarinho estava vestido de vermelho. Quem saia na rua tinha absoluta certeza que a vitória de Raimundão seria esmagadora. Chegou até ser comprada a cerveja e a carne para o churrasco. Quando as urnas abriram, Raimundão perdeu até nas urnas do seringal Cachoeira, onde funciona um projeto de desenvolvimento sustentável que é a menina dos olhos do PT.
Nesta eleição em Xapuri devem ter quatro candidatos disputando a prefeitura do município: Ubiraci Vasconcelos (PT), Wanderley Viana (PPS), Elenira Mendes (PV) e Manoel Moraes (PSB). A corrida começou bem para Manoel Moraes (PSB), que foi bem votado para deputado estadual no município (é o atual primeiro suplente da FPA), liderando todas as pesquisas, ancorado na memória eleitoral da última eleição. Mas, em política, dormir em cima dos louros, esperar que os votos caiam do céu, é um erro de estratégia. E este foi o seu erro. O outro fato negativo que lhe prejudicou foi não ser fiel aos compromissos assumidos, marcar conversas políticas e não comparecer, que acabaram por toldar sua imagem. Nas últimas pesquisas desabou que nem jaca madura. Em campanha majoritária, o candidato não atuar de forma profissional é fatal. Como aliado terá o PMDB, que deverá indicar o seu vice, mas isso não é suficiente para reverter sua queda. Ou muda toda sua estratégia, se organiza, ou dificilmente vai conseguir polarizar a disputa.
A outra candidata é Elenira Mendes (PV), filha de Chico Mendes, contra quem os adversários não terão muito que falar. Poderia ser a candidata do PT. Só que os petistas do município machucaram muito sua mãe Ilzamar Mendes, e jamais lhe dariam espaço político para crescer. A pergunta que cabe é: vai ser mesmo candidata? Vai resistir as pressões para retirar seu nome? Até aqui resistiu. Não aparece bem nas pesquisas, mas há que se aguardar a campanha para ter como se medir seu potencial.
Sobram Wanderley Viana (PPS) e Ubiracy Vasconcelos (PT). Não esperem uma campanha pacífica entre ambos. Vai ser do pescoço para baixo. O PT vai fazer uma nova campanha para lhe desmoralizar, mas pode esperar que terá troco na mesma altura. Se tem uma cabra valente, que não se dobra, este é o Wanderley. Tem o couro curtido de. E a disputa pela prefeitura de Xapuri vai ficar mesmo entre ambos. Manoel Moraes, que poderia fazer frente a ambos, assim como subiu caiu. Fiquem de olho em Xapuri. É naquele município que a cobra vai fumar nesta eleição. Será na base de pau para comer sabão, e pau para saber que sabão não se come.
*blogueiro nas horas vagas no AC24Horas, Blog do Crica
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